quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Busca por crescimento econômico

O post de hoje vai ser no maior estilo Profissão Repórter, os bastidores da notícia. A Leandra Felipe, que também é jornalista e tem o blog Comboio do Norte, é muito ligada no que acontece na cidade. É correspondente da BBC Brasil aqui em Bogotá e está sempre um busca de pauta. Eu, acomodada, acabo ficando por fora do que acontece por aqui. Pois bem, há duas semanas a Le me falou sobre o 1ER Foro de Inversión Colombia Brasil (1º Fórum de Investimentos Colômbia-Brasil), promovido pelo BID. Um evento para reunir empresários e políticos dos dois países afim de iniciar uma parceria de desenvolvimento para ambos.

O ex-presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, ao lado do presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos Calderón, e do presidente do BID, Luis Alberto Moreno Mejía, abririam o fórum. Achei a ideia de participar muito interessante, não só para ver pessoalmente o Lula, que nunca tinha visto no Brasil, mas para registrar um encontro tão importante. Entrei em contato com o assessor de imprensa, fiz meu cadastramento e aguardei ansiosa pelo dia, no caso, hoje. 

O Club El Nogal foi o local escolhido para realização do evento, para minha sorte bem pertinho de onde moramos. Acordei cedinho e fui para o fórum. Quando estava na fila para identificação, fui abordada por uma funcionária do local me informando que não poderia ter acesso ao salão porque estava usando calça jeans e tênis. Pronto, caiu a casa. A pessoa aqui (que quando saia pra pauta era pra fazer matéria de buraco de rua e jogo de futebol amador) muito desligada nem pensou em colocar uma roupa formal, achou que seu all star não iria incomodar ninguém. Com a impossiblidade de entrar sentei no sofá do hall e fiquei pensando: "Voltar em casa e tentar outra roupa? Sapato não é problema, mas não tenho calça que não seja jeans... Ir até lá, voltar e arriscar não entrar de novo? Mas quero tanto ver o Lula, participar do evento... Oh céus, o que fazer"

Pensei que iria me arrepender muito se não tentasse voltar. Em casa contei com a assessoria do meu marido (muito melhor que eu para assuntos de formalidade) peguei a calça jeans mais escura que tenho, com menos cara de jeans, coloquei uma blusa que não tem cara de camiseta, deixei meu amigo all star no armário e troquei por um oxford. Me olhei no espelho, definitivamente não faria aquela combinação em outro momento, mas era uma emergência.


Corri de volta para o El Nogal e desta vez, praticamente me escondendo com medo de ser barrada novamente, fui aceita. Na fila do elevador ouvi vários brasileiros, diversos sotaques, é sempre interessante observar como os brasileiros se comportam fora do país. Não vou dizer que substimei o evento, mas fiquei admirada com a quantidade de figuras importantes dos dois países. Na realidade fui muito ingênua e desprepadara, mas superei isso. Cheguei ao salão principal e procurei o local para o credenciamento. Eram filas enormes, mas uma delas parecia menor, entrei nela. Era o lugar certo. Em um computador digitei o número do meu documento e minha credencial foi impressa (achei muito legal, e realmente percebi o que é estar em um evento na capital de um país).

Máquina para credenciamento

Crachá com meu nominho

Depois fui procurar a Leandra e a Beatriz (minha chefe) que estavam sentadas em um lugar reservado. Ficamos a cinco fileiras do palco, pertinho das autoridades presentes. Pouco depois das 9h começou oficialmente o encontro. A delegação do Brasil entrou no auditório composta pelo ex-presidente e os governadores Eduardo Campos (Pernambuco), Geraldo Alckmin (São Paulo) e Sérgio Cabral (Rio de Janeiro), além do ministro das Comunicações, Paulo Bernardo. Depois de cada um ocupar seu lugar foram executados os hinos da Colômbia e do Brasil. Fiquei emocionada ao cantar o Hino Nacional, esses símbolos têm mais força quando estamos fora do país. 


E depois dos hinos começaram as apresentações de abertura com Juan Manuel, que iniciou dizendo que quando crescer quer ser igual o Lula, terminar seu mandato com 80% de aprovação popular e dimunuir a pobreza.

Depois foi a vez do Moreno, que disse em seu discurso que mais do que uma fronteira, o que separa os dois países é um muro. Ele arriscou algumas palavras em português e ganhou a simpatia do público. No final falou sobre futebol, citou o Corinthians (fiquei com vontade de gritar AVAÊ!!) e presenteou o Lula com uma camisa da Seleção da Colômbia. 


Finalmente a vez do Lula. Sempre soube que ele é possuidor de muito carisma, hoje pude confirmar isso vendo ele pessoalmente. A fala dele foi praticamente um stand up, em várias ocasiões o auditório deu muita risada. Ele já começou dizendo que não ia usar o discurso escrito porque queria olhar para todos que estavam sentados, para que ninguém ficasse tuitando enquanto ele falava. Nos quase 40 minutos de discurso ele enfatizou que o governo deve incentivar o crédito para as classes de menor poder aquisitivo "o negócio é emprestar dinheiro para pobre, porque pobre paga", disse ele. O ex-presidente não deixou de citar a crise dos EUA e da Europa "os que são conhecidos como pobres agora viraram consumidores para resolver os problemas dos ricos". Entre as frases engraçadas e conselhos, sem dúvida ele agradou.


Os painéis apresentados pelos empresários e especialistas seguiram pelo dia todo, mas eu não acompanhei, fui lá para ver o Lula mesmo. Ainda bem que voltei e participei deste momento tão importante para essa relação bilateral.


4 comentários:

Leandra disse...

Ainda bem que voltou mesmo!!! E nada de dizer que é desligada... Adorei o post!

Mike disse...

Muito bacana o post + fiquei passada pras criticas na TV Colombiana falando mal do Lula nao entendi bulufas eu que sou desligada tá vendo rsrsrs... deve ter sido lindo ouvir o Hino Nacional, agora pense que a gente vai ouvir no final da Copa Sub20 pra tomar o gosto e vê de novo em 2014 no nosso pais, eita que eu ando tao otimista rsrsrs bjos e feliz semana !!!

Ana Paula Gonçalves disse...

Então, assisti o jornal da Caracol e vi que eles tentaram gerar uma polêmica usando uma frase do Lula, uma frase que ele realmente disse, sobre a disconfinça entre os governos, mas ele disse isso em um contesto que não foi abordado na matéria. Não gostei do jeito que eles fizeram, pq ouvi todo o discurso e sei que quem tb ouviu entendeu. Jornalista gosta de polemizar hehehe

Jaciara Basso disse...

Parabens Ana, adorei seu post e fiquei um pouco mais informada sobre BR. e Co., bjos